Porque um país sofre com inflação e juros altos e baixo crescimento? Tudo ao mesmo tempo?

in Empreendedorismo, Investimentos by Fabio Faria



chainQuem estuda ou se informa um pouco sobre a economia sabe que juros e câmbio são as principais medidas usadas pelo governo para enfrentar pressão inflacionária. Mas frequentemente o dolar é deixado flutuante, ficando os juros como maior ferramenta do governo para o controle da inflação.

O que está por trás disso? A esperança de crescimento e aumento da arrecadação! Sim, pois o dolar, enquanto também eficiente, representa gasto imediato. Crises desastrosas em outros países já ensinaram que fixar o dolar não é a solução, mas este pode ser controlado por meio de compra e venda de dólares por parte do Banco Central. A receita é simples: está muito alto, vende-se o dólar; está muito baixo, compra-se. Mas isso exige um nível enorme de reservas em dólar para funcionar, e o dólar baixo (resultado da venda excessiva de dólares, inclusive pelo governo, o que geraria caixa) tem efeitos perversos sobre a indústria, que se torna menos competitiva, afetando risco país, empregos e impostos, e o governo não gosta disso. Além disso, a compra e venda de dólar é um recurso finito, servindo apenas para amenizar grandes flutuações do câmbio no curto prazo. Para garantir uma cotação influenciada artificialmente para baixo a longo prazo, seria necessário uma reserva infinita de dólares para serem continuamente vendidos, o que não existe.

Mas voltando aos juros: estes são o recurso mais “fácil”, pois não representa gasto imediato. Os juros definem gastos futuros do governo, pois representam quanto o governo paga para remunerar quem adquiriu títulos públicos (ou seja, emprestou para o governo). Mas estes também são impopulares, pois aumentam os custos de financiamentos fundamentais para investimentos, geração de empregos e riqueza. Ou seja, também é uma ferramenta delicada para lidar com a inflação.

Mas por que alguns países emergentes não enfrentam esse problema? Por que não são assombrados pela inflação, mesmo com juros muito mais baixos e moeda desvalorizada? A resposta está na responsabilidade e visão de longo prazo.

No Brasil, por muito tempo se fez o possível para estimular a demanda com projetos de transferência de renda e linhas especiais de crédito para setores específicos da economia, mas pouco se fez para gerar as condições fundamentais para atender esse consumo: capacitação profissional (ou seja educação de qualidade, desde a fundamental até a superior, que gera grande impacto na produtividade das empresas), infraestrutura eficiente (boa e barata) e combate a burocracia e corrupção, que são grandes fatores de improdutividade.

Sob o ponto de vista econômico, pouco adianta turbinar a demanda sem dar as condições para que a oferta consiga acompanhar. O resultado é que a oferta não consegue atender a demanda. E o que acontece quando muitos querem comprar, mas poucos conseguem vender? O preço sobe (pressão inflacionária)! E com isso o governo se vê obrigado a matar aos poucos a demanda (elevando juros). Com isso gasta muito, o dinheiro falta, o governo então aumenta impostos, o que deixa a indústria ainda mais improdutiva, e gera aumento dos preços, justamente o que o governo queria evitar a princípio.

Alguns podem se questionar: mas o país ia tão bem! O que mudou? A resposta é: nada! O país ia bem, mas não por seus próprios méritos. Surfou numa onda de preços internacionais altos das commodities, e isso o Brazil produz bastante! É como uma pessoa sem qualificação, mas que de repente recebe grandes ofertas de bicos pagando razoavelmente bem! Essa pessoa vai estar bem, mas só enquanto esses bicos durarem! Quando acabar a “mamata”, as dificuldades logo aparecem. E como essa pessoa não aproveitou o bom momento para se qualificar, para investir em si mesma (e não construir estádios super faturados), vai ficar chorando procurando alguém para colocar a culpa.

Tudo isso é para evidenciar um ponto bem específico: juros, dólar, impostos, tudo isso é ineficiente a longo prazo. Toda essa argumentação visa ressaltar um ponto bem simples: sem investimento adequado em educação e produtividade, não há o que possa ser feito, não há solução, o país simplesmente não cresce!

Com um governo corrupto que empurra tudo com a barriga, e uma população que não pensa no futuro, que só quer chegar até o fim do dia, e para quem pensar a longo prazo é fazer planos pro fim-de-semana, o Brasil não vai crescer nunca. O povo é culpado? Talvez não, talvez sim. O povo é sim culpado por manter no governo aqueles que qualquer povo mais sério já teria expulso não só do Planalto, mas também do país.

Tudo bem cobrar do governo uma passagem mais barata, mas me deixaria muito feliz ver grandes manifestações por educação melhor, menos impostos, menos burocracia, menos corrupção e mais responsabilidade dos governos.

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