Pré-fixado, pós-fixado ou indexado à inflação?

in Investimentos by Fabio Faria



Quando começamos e pesquisar um pouco sobre investimentos, um dos primeiros conceitos com o qual nos deparamos é o de investimentos pré-fixados, pós-fixados e indexados à inflação. Apesar de serem normalmente categorias de investimentos conservadoras, estas modalidades também guardam diferenças em seus riscos associados, e podem ser mais ou menos convenientes conforme indicadores econômicos simples, como taxa de juros e inflação.

Um primeiro ponto que se deve entender é que nem todo o rendimento nominal de uma aplicação representa um rendimento real. Veja o exemplo abaixo para ilustrar esse conceito:

Você tem R$100 aplicados e, em um período específico, essa aplicação rendeu 10%. No final desse período você tem R$110. Se a inflação nesse período for também de 10%, isso significa que coisas que custavam R$100 no início, passaram a custar R$110 no final. Desse modo, com o dinheiro aplicado era possível comprar um bem ao custo de R$100 no início do período, e o mesmo bem por R$110 no final do período. Assim não houve nenhum ganho real na aplicação, que apenas acompanhou a inflação.

Isso pode parecer trivial, mas é muito comum decisões de investimento serem tomadas sem se levar em conta projeções de juros e inflação a médio e longo prazo. Vamos ver como esses dados devem ser levados em consideração:

Voltando ao investimento pré e pós-fixado, o nome é auto-explicativo: no investimento pré-fixado, obtém-se um rendimento nominal definido no momento da aplicação. Já no investimento pós-fixado, o rendimento nominal vai ser definido no final do período. O investimento indexado à inflação é uma mistura de pré e pós fixado, pois a taxa de juros real é pré-fixada, e será acrescida da inflação pós-fixada para se determinar o rendimento nominal.

Como o que interessa mesmo é o rendimento real final, e este depende tanto da taxa nominal quanto da inflação, a decisão precisa levar estes dois pontos em consideração.

Sempre que os juros estiverem em alta e a inflação estiver subindo menos ou caindo, a opção pós-fixada é mais interessante, pois permite usar o cenário futuro que é mais interessante que o atual.

Se os juros estiverem caindo e a inflação também, a opção pré-fixada é melhor, pois usa uma taxa de juros nominal atual, que será melhor que a futura. Neste caso, a opção indexada não é interessante pois a inflação está em queda, e sua taxa de retorno nominal, ainda que sempre acima da inflação, cairá junto com ela.

Se a inflação estiver subindo e os juros subindo menos, ou caindo, é preciso fazer uso da força da inflação. Neste caso, a opção indexada à inflação é a mais interessante.

Estes cenários podem ser resumidos conforme o quadro abaixo:

Inflação subindo juros subindo menos ou em queda Indexado à inflação
juros subindo mais Pós-fixado
Inflação caindo juros caindo Pré-fixado
juros subindo Pós-fixado

 

O leitor pode estar se perguntando: “Onde eu consigo estas informações”. Felizmente temos todos acesso a um relatório excelente produzido semanalmente pelo Banco Central do Brasil, chamado relatório Focus. Este relatório é gratuito, sucinto e direto ao ponto, apresentando expectativas do mercado para juros (taxa Selic), inflação e câmbio para o ano atual e para o próximo ano. Os números refletidos pela média de curto e médio prazo são boas referências.

Neste momento, por exemplo, há uma previsão de leve queda de inflação e leve alta dos juros para o médio e longo prazo, o que aponta para a conveniência de investimentos pós-fixados.

O relatório Focus pode ser acessado neste link.

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