Por que enquanto tudo vai mal, o desemprego continua baixo no Brasil?

in Carreira, Empreendedorismo, Geral by Fabio Faria



recessaoÉ inacreditável que o Brasil consiga manter taxas de desemprego relativamente baixas neste momento econômico de grande fragilidade e quadro geral recessivo. Como isso é possível?

Bom, na verdade isso se dá por um conjunto de fatores: a metodologia da medição, programas sociais e leis trabalhistas.

Pelo lado da metodologia de medição, temos como definição do desempregado: aquele que faz parte da população economicamente ativa (atualmente acima de 10 anos de idade), está atualmente sem emprego, disponível para trabalhar e realizou alguma tentativa de recolocação nos últimos 30 dias. Além disso, é considerado empregado quem desempenha pelo menos uma hora de trabalho por semana, remunerado ou não. Pode-se observar que a metodologia claramente dificulta a classificação da pessoa como desempregada. 

Além disso, o número percentual divulgado é calculado dividindo-se o número de pessoas consideradas desempregadas pelo número de pessoas na população economicamente ativa. Aí entra outra distorção. Um desemprego de 10% não significa que 90% das pessoas que desejam trabalhar conseguem, longe disso! Grande parte da distorção desse cálculo vem da definição de população economicamente ativa, que inclui pessoas acima de 10 anos de idade. Um detalhe: no Brasil, trabalho abaixo de 14 anos de idade é considerado trabalho infantil, sendo o empregador criminoso. Porque a população economicamente ativa é assim definida então? Simples! Aumente o denominador que esse número desagradável do desemprego é puxado para baixo!

Mas não pára por aí. Para ser desempregada, a pessoa precisa estar procurando emprego. Para definir a taxa de sucesso na obtenção do emprego, o lógico seria dividir o número de pessoas desempregadas por todas as pessoas que desejam trabalhar, incluindo aquelas que trabalham. Mas ao dividir pela população economicamente ativa, comparamos bananas com maçãs! Claro, o equívoco sempre busca trazer o número para baixo.

Mas isso é apenas sobre a metodologia. Existe todo um outro lado dos programas sociais, importantíssimos para promoção da igualdade social, mas que também servem como mecanismo para maquiar os números do desemprego. Estes mexem no critério segundo o qual, para ser considerada desempregada, a pessoa deve estar buscando emprego. E se eu criar medidas para que a pessoa não busque esse emprego? Algo como oferecer renda sem contrapartida? Oferecer seguro desemprego com valores maiores que a remuneração de boa parte das pessoas? Tudo isso serve como mecanismo de acomodação, de forma que quem perdeu o emprego, muitas vezes, não se caracterize como desempregado.

Por último, há as leis trabalhistas. Os custos de se demitir um funcionário no Brasil são tão altos, que uma contratação é um dos maiores riscos que uma empresa pode correr. E quando a empresa precisar demitir é justamente quando essa despesa seria mais danosa. Dessa forma, as empresas responsáveis calculam os custos de recisão de contratos de trabalho para saber quando fechar as portas. Que coisa interessante! As leis forçam as empresas mais responsáveis a fechar para garantir pagamentos que visam a redução do desemprego. Mais um exemplo do brilhantismo recorrente das leis brasileiras!

Mas voltando ao desemprego: o papel das leis trabalhistas é fazer com que as empresas posterguem ao máximo a demissão. Isso não reduz o desemprego, apenas o posterga, e reduz a lucratividade das empresas, o que reduz os salários e prejudica a economia.

Bom, resumo da ópera: O que é baixo no Brasil não é o desemprego, é apenas a medida que se faz dele.

 

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